O POVO INDÍGENA KRENAK
Por: Douglas krenak/Jornalista
1 O PASSADO DO POVO KRENAK
1.1 A VIDA DOS BOTOCUDOS ANTES DA CHEGADA DOS COLONOS
Os "Borun", que quer dizer nós, essência
do ser, era como se autodenominavam os antigos Botocudos, hoje
os atuais Krenak. O nome Botocudo utilizado pelos colonos, advêm
de um termo pejorativo para caracterizar os antepassados dos Krenak.
Era uma referência aos adornos labiais e ouriculares que
utilizavam.
Os Borun possuíam uma cultura materialista reduzida, com
poucos objetos para facilitar no deslocamento de um lugar para
o outro. A adaptação ao meio em que se encontravam
e a sobrevivência ocorriam no máximo aproveitamento
dos recursos naturais que tinham a disposição. Utilizavam
as próprias técnicas de cura com as plantas medicinais.
As consumidas eram a urtiga, arnica, fedegoso, sementes de pau-ferro,
cansanção, e demais elementos secretos utilizados
pelos pajés na época.
As atividades de subsistência eram a caça, a coleta
e a pesca. A coleta era feita no período das secas em que
abandonavam os seus acampamentos localizados as margens dos rios
e se dirigiam para o interior das matas. As atividades eram mais
exercidas pelas mulheres. Nesse tempo, havia uma riqueza alimentar
significativa e uma variedade de frutas coletadas pelos Botocudos.
Entre os elementos de coleta os mais encontrados e importantes
eram o jenipapo, caratinga, jatobá, mamão, imbu
e pitomba. Coletavam também material para a confecção
do artesanato, para as armas, adereços, enfeites e as tintas
utilizadas na pintura corporal. Este era um trabalho realizado
por todos os membros da comunidade. A pesca e a caça realizadas
na época tinham bastante significância para o Botocudo.
Pescavam o surubim, cascudo, curimatã, bagre, traíra,
lambari e a curvina, este ultimo era utilizado na medicina como
remédio. As caças eram de animais, pássaros
e outros bichos, como a capivara, veado, caititu, queixada, tatu,
jaboti, quati, tanajuras, larvas de madeira, nhambu, pato selvagem,
marreco, jacu, arara, papagaio, e entre outros bichos.
Os Borun eram movidos a caminhar por diversas regiões,
não somente pela coleta, mas também pelo auto-espírito
guerreiro. Vigiavam e se preocupavam com a invasão dos
seus territórios por outro tipo de civilização.
A nação dos antepassados dos krenak subdividia-se
em várias ramificações de grupos. Cada grupo
tinha o seu modo de viver, com seus costumes particulares. As
divisões eram causadas também pelos conflitos internos,
mas, este não seria o motivo principal do espalhamento
por regiões.
Para os mais velhos da aldeia Krenak, a ramificação
espalhada dos vários grupos da nação Botocuda
era devido ao costume especifico que cada um tinha e gostava.
Apesar da divisão, todos os grupos falavam a mesma língua,
mas, com dialetos diferentes e que eram compreendido entre os
vários grupos de Borun. A religião, as crenças
e a cosmovisão que tinham do mundo não eram diferentes
de um grupo para o outro.
Na parte da vida religiosa, mantinham um contato
constante com o mundo dos espíritos. Os Borun, através
de seus cantos, concentrações e visões, teciam
uma forte relação entre o mundo em que viviam e
o dos "Espíritos Marét", anjos Krenak
e "Gyák", Deus força superior. Também
relacionavam-se com a natureza através da religião.
Os rituais religiosos eram realizados pelos mais velhos ou pelo
pajé. Na cultura religiosa dos Botocudos, os espíritos
marét são anjos protetores das suas famílias
que pertenciam em vida. O relacionamento entre os Marét
e seu protegido manifestava-se por meio de pedidos feitos por
um membro da família por intermédio do ancião
e do pajé. Os Botocudos acreditavam que através
dos seus sonhos era possível visitar o mundo dos Marét,
repleto de fartura e riquezas. Por intermédio desse contato,
estabeleciam seguimentos de suas vidas humanas e até mesmo
previsões futuras relacionadas à comunidade, ou
grupo pertencente. Os Borun tinham também o costume de
ascender fogueiras e oferecer comidas aos mortos, tudo para que
as almas dos mortos não voltassem e buscassem a alma de
algum membro da tribo que estivesse doente, ou, triste.
Os Borun levavam uma vida em constante equilíbrio com a
natureza e com o parente da sua etnia. Dentro das densas matas
atlânticas que existiam, os Botocudos caçavam, coletavam
e cultuavam com seus espíritos Marét a Gyák
(Deus). Através desta cosmovisão, procuravam sobreviver
num mundo em que só existiam os Borun e a natureza.
O modo de ser e viver dos Borun ficaram ameaçados com a
chegada dos colonos. A subida dos colonos pela extensão
do Rio Doce, em busca das minas de ouro, teve além das
matas fechadas, a grande barreira das ultimas tribos bravias do
leste brasileiro, particularmente os "Botocudos". O
embate entre colonos e os índios marcou a colonização
especialmente em Minas Gerais e Espírito Santo.
1.2 O CONTATO E AS GUERRAS
Mattos (1996) apresenta em sua pesquisa que o contato dos Portugueses com os índios do interior de Minas Gerais, Bahia e Espírito era conhecido desde o século XVI.
Desde o século XVI, contatos entre portugueses e índios do interior de Minas, Bahia e Espírito Santo são noticiados. As entradas de Francisco Bruzza de Spinoza e do Jesuíta padre de Azpilcuelta Navarro (1555) e de Salvador Correa de Sá (1577) já encontrava índios Aimoré nas mediações dos rios Pardo, Jequitinhonha e Doce, chegando a aprisioná-los para serem levados para aldeamentos jesuíticos no Espírito Santo. Consta que, após tentativas de aldeamentos por parte das autoridades portuguesas, os indivíduos dos grupos Aimoré que conseguiam sobreviver às epidemias , se refugiavam para o interior das matas, embreando-se pelos sertões do Leste - faixa territorial que compreendia os vales dos rios Doce, Jequitinhonha e Mucuri. Já em Minas Gerais, as nascentes povoações mineradoras de Vila Rica e Mariana não ficaram imunes aos ataques daqueles povos que, posteriormente, passaram a ser conhecidos pelo designativo de Botocudos de Minas. (Mattos; 1997, p.4 e p.5)
De acordo com a história do povo Krenak e com base
em recentes pesquisas acadêmicas sobre a história
dos Borun, a nação dos índios "Botocudos"
(atuais Krenak) vivia e comandava grandes extensões de
densas matas atlânticas, dos atuais estados como Minas Gerais,
Bahia e Espírito Santo. Em 1808, as guerras travadas nessas
terras entre Botocudos e os colonos já eram conhecidos
até na Europa.
O contato entre os colonos e os Borun foi muito forte. Devido
a não pacificação com relação
aos interesses e os objetivos dos Kraí (não indígena),
a nação Botocuda chegou a ser considerada dizimada.
Durante esse período colonial, várias guerras foram
travadas entre os Borun e os Kraí.
Em 1755, os Botocudos do Vale Jequitinhonha atacaram as populações
luso-brasileiras das frentes de ocupação que avançaram
desde Minas Novas. Causando grandes danos sobre os povos da conquista.
Depois do ataque foi mandada contra os índios uma força
de homens. Os Borun eram hábeis guerreiros e tinham uma
habilidade muito eficaz com o arco e a flecha. Nas guerras faziam
trincheiras e armadilhas, os mais jovens faziam a barreira de
frente, protegendo os mais velhos, mulheres e as crianças.
Sempre eram feitas rondas a alguns quilômetros de distância
do acampamento erguido, para dar tempo de avisar a aldeia e se
refugiar dentro as matas e nas grutas.
O contato dos Portugueses e os Borun foi marcado pela violência
e muitas mortes. Depois de várias tentativas de redução
e imposição cultural aos índios é
declarada a "Guerra Justa" através da Carta Régia,
com o objetivo de desocupar as margens do Rio Doce da presença
dos Botocudos, garantindo a segurança da navegação
fluvial que se pretendia implementar e a liberação
do território extrativistas e mercantis. "Em 13 de
maio de 1808, no mesmo ano da instalação da Corte
Portuguesa no Rio de Janeiro, o príncipe Dom João
declarou a Guerra Ofensiva aos Botocudos".(Espíndola,
2000).
D. João VI declarou Guerra Justa aos Botocudos oficialmente,
porque estariam inviabilizando os Projetos desenvolvimentistas
de interesse nacional para a região. Como a finalidade
era ocupar as terras, na qual se encontravam os índios,
foi criada uma manobra militar, uma política de militarização
para combater os Botocudos, especificadas na Carta Régia.
As principais divisões militares que se localizavam na
região do médio Rio Doce foram Figueira, hoje Governador
Valadares e Natividade, hoje Aimorés. Chefiada por um militar
chamado Teófilo Otoni, a Companhia do Mucuri também
se empenhou na manobra militar contra os Botocudos.
A ação de Teófilo Otoni, em 1858, relacionava
como rotinas de guerra contra os Botocudos os seguintes Procedimentos:
a) cães especialmente treinados na caça aos Botocudos,
alimentados inclusive com carne de indígenas assassinados;
b) bandeiras especialmente preparadas para 'matar uma aldeia',
assassinando-se indiscriminadamente homens, mulheres, velhos,
moços, reservando-se apenas as crianças para o trafico
e alguns homens para carregadores;
c) índios recrutados como soldados estimulados a cometerem
violências contra os Botocudos, dando provas de renegar
suas origens;(...)
d) comércio de crianças - 1Kruk valendo uma espingarda
- e de cabeças de Botocudos mortos em combate - dezesseis
delas foram vendidas a um francês que disse têlas
comprado para o museu de Paris em 1846;
e) índios sob o regime de trabalho escravo, espoliados
de suas terras, doentes e mal alimentados;
f) contaminação proposital de comunidades inteiras
através de agentes patogênicos letais para o indígena
- sarampo, por exemplo. (Marcato, 1979:18 apud Mattos, 1996, p.71)
Com o fim da Guerra justa por volta 1823, o francês
Guido Thomaz Marliére assumiu o cargo de inspetor de todas
as Divisões Militares do Rio Doce, com a missão
de contatar e pacificar os Borun. O francês acreditava que
a "civilização" só seria concretizada
a partir da incorporação dos mesmos na sociedade
nacional. Com isso, incentivava casamentos de índios e
não índios. A tentativa era a de integrar totalmente
os Borun a sociedade não indígena. Mas essa atitude
de Marliére não foi bem aceita pelos colonos, que
continuavam com as manobras militares. Em função
disso, anos depois Marliére foi afastado do cargo. O governo
imperial realizou várias tentativas de pacificação,
até missões com missionários Capuchinhos
fizeram, mas, fracassaram.
Depois de várias tentativas de exploração
e domínio fracassado, a ocupação do Vale
do Rio Doce aconteceu de fato no início do século
XX, a partir da construção da estrada de ferro Vitória-Minas,
pela atual Companhia Vale do Rio Doce.
1.3 A VIDA E TRAJETÓRIA CONTEMPORÃNEA KRENAK
Depois das guerras coloniais, tentativas de catequização
e pacificação, os Borun Krenak, únicos sobreviventes
da nação dos "Botocudos", tiveram que
enfrentar anos mais tarde a abertura da estrada de ferro Vitória-Minas,
que acarretou ainda mais a diminuição do povo. Com
a construção, a urbanização aumentou,
e os Krenak tiveram suas terras invadidas e arrendadas.
A idéia da construção da Estrada de Ferro
Vitória-Minas teve sua origem nos Primeiros anos da República,
durante o período em que D. Pedro II governou o Brasil
como imperador. Depois, quando foi proclamada a República,
o estado dava privilégio para as empresas inglesas para
que essas construíssem estradas e ferrovias e explorassem
o tráfego.
Os Krenak chamavam a Maria-Fumaça que percorria nos trilhos,
de "Guapo", que significa monstro que vomita fumaça.
Dejanira Krenak lembra que nesta época foram trazidos para
a reserva Krenak, grupos de pessoas para conversar com os índios
e dizer para não ficarem na frente do Guapó.
Relatos Krenak contam que muitos Borun morreram na linha férrea.
Os Krenak não aceitavam de modo algum que seu território
fosse invadido e atravessado pelo Guapó dos Kraí.
Existiam Borun que tentavam parar o trem com as próprias
mãos e acabavam morrendo. Os Krenak perceberam que o trem
era muito forte para se parar com as mãos, então,
a noite vários homens saiam na extensão da linha
férrea para arrancar os trilhos.
A construção da estrada de ferro (EFVM) trouxe consigo
grande contingente de trabalhadores para a região que,
inauguradas as estações ferroviárias em Minas
no ano de 1916, as mesmas tornaram-se ponto de viajantes, agricultores,
pecuaristas, madeireiros, exploradores de pedras; propiciando
com rapidez os vários surgimentos de vilas e arraiais na
região. A ocupação e a EVFM valorizaram as
terras do Vale do Rio Doce e aumentou o conflito entre os Krenak
e os ocupantes.
De acordo com o professor da Universidade Vale do Rio Doce, Jaider
Batista da Silva, por volta de 1911, os Krenak foram agrupados
pelo Serviço de Proteção ao Índio
-SPI, numa área a 16km da atual cidade de Resplendor, rio
Doce acima. Através da instalação de postos
de atração do SPI, órgão responsável
pela política indigenista da época, foi que os últimos
Botocudos foram contatados.
Os postos de atração do SPI eram o meio do governo
agrupar os últimos dos "Botocudos", diminuindo
os embates com colonos, liberando assim os caminhos para a estrada
férrea e a expansão econômica dos seus territórios.
Dois Postos de atração foram criados, o de Pancas
e o Guido Marliére, atual aldeia Krenak. Já no ano
de 1920, o governo do Estado de Minas Gerais e a Assembléia
Legislativa doam uma parte do território original Krenak
aos Krenak. A demarcação das terras doadas aos Krenak
não foi totalmente demarcada, pois o governo na época
não tinha uma definição certa para destinar
as terras aos Krenak. A demarcação veio acontecer
anos depois, em 1923, após o massacre dos seus parentes,
os Kuparak.
Nos anos de 1930 a 1950, a extração de madeira e
a descoberta de uma possível mina de Mica atraíram
ainda mais a invasão de fazendeiros e posseiros pela área
dos Krenak. A região do Rio Doce começava a se tornar
cobiçada para o crescimento econômico. Na década
de 50, os Krenak foram culpados por um atentado à bomba
na residência do chefe do Posto Guido Marliére. Sob
ameaças da Policia tiveram que abandonar suas terras, sendo
transferidos para o posto dos índios Maxacali. Durante
esse período ocorreram vários exilamentos do povo
Krenak para outros lugares do Brasil.
Na transferência para a aldeia dos índios Maxacali,
os Krenak foram obrigados a abandonar suas terras, transportados
num caminhão. Muitos resistiram e refugiaram-se nas ilhas
do Rio Doce. Os Borun Krenak não se adaptaram a reserva
e não se relacionavam com os Maxacali, o que impulsionou
no retorno do grupo para a terra de origem. O retorno durou mais
de noventa dias de caminhada. Na volta a terra, os Krenak encontraram
a reserva ocupada pela Policia Florestal e por fazendeiros. Entretanto,
conseguiram ocupar uma pequena parte da terra doada. Os Borun
Krenak vêem também nessa época a criação
de um centro de Reeducação Indígena do SPI,
para agrupamento e controle sobre os únicos sobreviventes
no Posto Indígena Guido Marliére.
Nesse mesmo período, foi criada a Guarda Rural Indígena
(GRIN), que tinha por objetivo intimidar os Krenak, através
de um policiamento feito por outros índios. A Guarda era
treinada para vigiar os Krenak, proibí-los de se comunicarem
na própria língua e praticar diversas violências
físicas. De acordo com a história Krenak, a GRIN
juntamente com os comandantes Militares mantiveram esse esquema
militar durante um bom tempo.
Em 1960, é extinto o SPI sendo criada a Fundação
Nacional do Índio (FUNAI), que reinicia no ano de 1970
a reintegração da posse de terras dos Krenak. Após
a reintegração, o presidente da FUNAI negocia a
transferência dos Krenak.
Houve muita revolta dos Krenak no exílio para a Fazenda
Guarani em Carmésia, área ocupada pela Policia Militar
do Estado. Os Krenak tiveram que sair algemados.
Não se adaptando ao clima frio e a infertilidade da terra,
retornaram para sua reserva de origem com ajuda de alguns indigenistas
em 1980. Contudo, ocuparam apenas 44 hectares, parte das terras
doadas pelo Governo do Estado. Nesse período de exilamentos,
alguns Krenak morriam e outros se dispersavam levados para outros
exílios, como o posto indígena Vanuíre no
interior de São Paulo, ilha do Bananal e outros lugares
do Estado do Mato Grosso.
As disputas sobre a terra dos Krenak estenderam-se a até
a década de 1990. A ação movida pela FUNAI
contra a retirada dos fazendeiros do território, somente
foi julgada a favor dos Krenak no ano de 1995, mas, a regularização
fundiária se deu após dois anos decorridos.
No ano de 1997, os Krenak finalmente são reintegrados
no território que lhes havia doado em 1920. No entanto,
a maior dificuldade vivida pelos Krenak é a reestabilização
no seu "antigo-novo território". Antigo porque
já viviam nele desde épocas passadas, e novo devido
ao estado em que se encontra, totalmente modificado sem os recursos
naturais que existiam e de que precisam os Krenak. As atividades
tradicionais como a caça, pesca e coletas sofreram drásticas
alterações. Segundo depoimentos dos Krenak, a vida
religiosa também sofreu modificações, uma
vez que, utilizam a natureza como fonte inspiradora para o contato
com os espíritos Marét e Gyák.
Um longo caminho foi percorrido pelos Krenak, desde a chegada
dos colonizadores. Enquanto isso foi preciso resistir e sobreviver.
Mecanismos, estratégias de resistência foram utilizados.
A ocultação e a negação da identidade
étnica talvez tenham sido as principais e mais eficientes
"armas" na luta contra o etnocídio. Fingindo
não ser mais o que eram, o Borun Krenak pertencente de
uma determinada etnia conseguia preservar a integridade física,
pois dessa forma deixava de ser perseguido pelo poder do Estado,
que passava a considerá-lo como "integrado à
comunhão nacional, um aculturado".
O que restou de concreto da vida cultural Krenak foi,
basicamente, a língua materna, guardada com a sabedoria
de pacificação dos mais velhos. Mesmo com o idioma
"nacional" (português) penetrado na comunicação
entre os membros da tribo, a língua tradicional não
deixa de ser passada de pai para filho dentro da aldeia indígena.
É através do idioma nativo que os Krenak estão
aos poucos buscando reviver outras partes culturais que ficaram
adormecidas durante um período de suas vidas.
Situação atual do povo Krenak
Localizado no município de Resplendor-MG, o Posto Indígena
Krenak ocupa, atualmente, uma área de 3.983 há que
lhes foram doadas em 1920 pelo então Presidente do Estado
de Minas Gerais, Sr. Arthur da Silva Bernardes, através
da lei nº 788 de 18 de setembro de 1920. O posto indígena
Krenak é composto de 45 famílias, com cerca de 200
pessoas entre idosos e crianças, uma escola, um posto de
saúde e uma sede da Funai.
As principais atividades econômicas dos Krenak são
a pecuária, a agricultura, a pesca e a confecção
do artesanato. Com relação à área
de saúde, o posto indígena encontra-se num processo
de instalação de saneamento básico e água
potável nas casas.
Atualmente a área educacional dos índios Krenak
está baseada na "Educação Escolar indígena",
um projeto criado pelo Governo do Estado junto aos povos indígenas
de Minas Gerais.
Os Krenak lutam também para receber indenizações
nos impactos causados pela construção da hidrelétrica
de Aimorés, e um recurso destinado ao parque Sete Salões
para indenização dos fazendeiros, que podem ser
destinados aos Krenak por danos morais, nos problemas causados
pelo empreendimento das empresas Vale do Rio Doce e Cemig.
O povo Krenak esteve durante anos desterrado e expulso
do seu território tradicional. Há indivíduos
Krenak dispersos em diversas áreas indígenas, mas
existe um grupo numeroso situado na aldeia indígena Vanuíre,
juntamente com os índios Kaingang, perto da cidade de Tupã
no interior de São Paulo.
Artículo recibido de douglaskrenak@yahoo.com.br el 17 de enero de 2005
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